quarta-feira, 4 de junho de 2014

Bride-to-be: O nome da rosa

A adoção do nome de casado é sempre uma questão polêmica e pra gente foi um episódio curioso. Fechando a parte chata da papelada, foi mais ou menos assim que aconteceu:
Aqui na Bélgica os casais não tem o direito de assumir legalmente o nome um do outro, pessoa vai nascer e morrer com o mesmo nome. Até ai tudo bem, mas o nome seria o do pai, a mãe não poderia passar o sobrenome para o filho, o que eu acho um absurdo. Aparentemente essa lei foi derrubada alguns meses atrás e as crianças nascidas a partir desse ano poderão levar os nomes das duas famílias se assim for o desejo dos pais, menos mal. Mas, o fato dessa lei ser tão recente contribuiu para que eu revisse meus conceitos acerca do nome.
Eu me considero uma pessoa bastante feminista e sei bem o peso social que representa o fato da mulher carregar o nome do marido, eu, inclusive, não era a favor por esse motivo. Mas como já dizia a minha querida amiga Laila, minha vida é um eterno morder na língua! Veio a ideia do casamento, o fato de morar no exterior, de provavelmente ter filhos que não carregariam meu nome de família... Enfim, vamos pelo menos dar o braço a torcer que tudo depende do ponto de vista.


Conversei com o Pascal a respeito da intenção de assumir oficialmente o nome dele, o que o deixou surpreso, já que esse costume não existe (é inclusive proibido, como já falei) aqui na Bélgica. Ele, fofo que é, disse que ficaria muito lisonjeado se eu assumisse o sobrenome dele, mas que isso era inteiramente uma escolha minha, que ele não acha de nenhuma forma "necessário". Aqui em casa nós dois trabalhamos, pagamos contas, lavamos, cozinhamos, cuidamos do jardim, tudo bem dividido. Viajamos separados, cada um vai pra onde quer sem ter que pedir premissão, conversamos abertamente sobre tudo. Temos uma relação que não é baseada em sexismo e isso não vai mdar por que, por iniciativa minha, decidi assumir o nome dele, escolha é diferente de obrigação.
E sendo sinceros, é pensando nas vantagens também. Morar no exterior e ter um sobrenome local pode significar seu CV sendo avaliado ou indo parar na lata do lixo sem ao menos ser folheado. Pode significar não precisar ficar horas na duana explicando porque seu filho é europeu com sobrenome europeu e você não... É triste? Muito, mas infelizmente é a assim e nós dois sabemos disso. Não quer dizer que a vida de uma pessoa vai ser um inferno porque ela é "dos Santos Pereira", mas eu optei pelas vantagens. E por último, mas não menos importante, acho que a pronuncia ficou bonita! hehehe
Bom, vencida a batalha ideológica em casa, foi a vez de ver o que isso representaria na prática. Como sou brasileira é meu direito me casar segundo meus costumes, o que inclui a possibilidade da troca de nomes, isso eu já sabia. O que eu não sabia, é que a prefeitura da cidade onde moramos teria um livro não sei de onde com uma regra que totalmente não existia no Brasil. Me explico.
Fui na prefeitura e falei o meu desejo de assumir o nome do Pascal oficialmente depois de casada e a atendente disse que se no Brasil fosse permitido, tudo bem. Ela iria buscar o super livro dela, com todas as leis de casamento de todos os países do mundo pra checar, e lá se foi para dentro de uma salinha de porta fechada. Uns minutos depois ela volta com o livro e diz que realmente, eu poderia acrescentar o nome do conjuge antes ou depois do meu com a partícula "de" no meio. Pronto, não sei de onde a "fia" arrumou isso, essa lei não existe no Brasil. Fui tentar explicar pra ela mas foi em vão, disse que o livro dela que tudo sabia, não poderia estar errado e que se eu quisesse colocar o nome dele teria que ser assim! Putz, nem preciso falar que ia ficar a coisa mais feia do mundo, né? E como provar pra ela que aquela lei era mentirosa?
Cheguei em casa e comecei a pesquisar. Parece que as leis de mudança de nome no Brasil variam de estado pra estado, em alguns a noiva pode retirar no nome de solteiro, pode colocar o nome no meio.. Mas no geral, ambos, marido e mulher podem adotar o sobrenome um do outro, mas em nenhum lugar eu vi a lei do tal "de". Fui ao consulado e perguntei como eu poderia provar para a doidona que isso não existia e me explicaram que o atestado de coutume mencionava isso vagamente, era a minha melhor cartada. Já tinha me decidido que, caso eles continuassem insistindo no "de" eu manteria meu nome de solteira, porque realmente, ficaria feio pra caramba.
No dia em que fomos para a prefeitura levar todos os papeis essa foi uma pergunta no meio de tantas. Escolhemos a cor do livro de casamento, se trocariamos alianças ou não, sobre as testemunhas e o nome. Foi a minha chance de mostrar o documento pra eles e explicar que aquela coisa de "de" não existia e bater o pé para deixar meu nome como eu queria, com o do Pascal acrescido, sem tirar o meu e sem a porcaria do "de". Ela leu, releu, falou com o chefe... Disse: Tem certeza que não vai ter "de"? Nem hífen, nem nada?  Não!! Só o nome dele depois do meu... E ela concordou, já está no dossiê e tudo mais! Ufa... Uma coisa a menos na minha 'to do list'.
Isso vai trazer outras complicações, eu sei. Também penso em se um dia nos separarmos por exemplo, mas, todo mundo casa pensando em ser pra sempre, não é mesmo? E se não for e um dia o nome se tornar um problema pra mim, vou resolver quando for a hora. Aliás, esse foi um dos avisos que me deram no consulado: não troque de nome porque dá muito trabalho com a papelada. Vir falar de papelada comigo? Bitch, please...

8 comentários:

  1. Ainda bem que conseguiu mudar Nat... Burocracia é uma merda em qualquer parte do mundo!

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    1. Ainda be mesmo Camila! vc já deve estar de cabelo em pé por ai também, né?

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  2. Burocracia cansa demais ! Penso o mesmo que você, nome de solteira, da minha família !

    Beijos Nat

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    1. claro carol, nao tiraria meu nome nunca! bjos

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  3. Olá Natália, em janeiro irei me casar na Holanda e também quero o nome do meu futuro marido. Só não sei como farei para me livrar do hífen. Parabéns por ter ido se informar e conseguido deixar seu nome da forma que você quer.

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    1. Oi NBA, na Holanda é comum que as mulheres adotem o nome do marido tb, aqui na Bélgica de jeito nenhum. Jä ouvi gente dizer que é oficialmente, já ouvi gene dizer que é só nas correspondencias e que no seu passaporte por exemplo, continua o nome de solteiro. Mas o hifen parece que tem que ter em tds as situaçoes.. boa sorte! beijos

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  4. Eu precisei da preposição kkk, colocar o nome do marido não foi a minha primeira opção, fui convencida e hoje é tão natural, parece besteira, mas acho que é uma forma de unir mais o casal, acho tão bonito usar o Mr e Mrs, com um único nome representando os dois! Mas todos os meus nomes ficaram juntinhos comigo hahaha

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  5. Haha!! Só agora vi sobre o fato de eu te chamar de rainha do paga língua!!! Bem tivemos evidências disso! No fim, ainda bem que deu certo e desistiram da ideia do de

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